CIRURGIA TORÁCICA - DOENÇAS E TRATAMENTOS

         A Cirurgia Torácica é uma especialidade cirúrgica relativamente antiga, porém com recente avanço técnico-científico acelerado. Por muitos anos, ainda no final do séc. XIX e início do séc. XX, era responsável quase que exclusivamente pelo tratamento das complicações da tuberculose. Em meados do século XX, com o rápido avanço do tabagismo e o aumento dos casos de câncer de pulmão, bem como melhorias relacionadas à anestesia e ao cuidado pós-operatório, a Cirurgia Torácica se desenvolveu de forma mais intensa. A partir da década de 1980, houve grande avanço relacionado ao transplante pulmonar, e a década de 1990 observou o início da utilização das cirurgias por vídeo, sem dúvidas um grande recurso que possibilita recuperação mais rápida por parte dos pacientes no pós-operatório. Recentemente vivemos a era das cirurgias por robótica, uma tecnologia aplicada à medicina que promete trazer mais segurança e eficácia nos procedimentos cirúrgicos.

 

 

DERRAME PLEURAL

O derrame pleural é uma alteração que resulta do aumento do líquido que envolve o pulmão, chamado líquido pleural. Este líquido, em seu estado natural, é de pequeno volume, cerca de 10 a 30ml, responsável pela lubrificação da superfície do pulmão durante os movimentos respiratórios. Porém, devido a algumas doenças, este líquido encontra-se aumentado de volume, chegando até a incrível marca de 3 litros! As principais doenças que produzem o derrame pleural são: pneumonia, tuberculose, câncer de pulmão, doenças reumáticas como artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico. O papel do cirurgião de tórax é avaliar a necessidade de punção e/ou drenagem do líquido, além de diagnosticar a origem do derrame.

CÂNCER DE PULMÃO

O câncer de pulmão é o câncer que mais causa óbito em todo o mundo, devido à sua alta incidência na população e por ser uma forma extremamente agressiva de câncer. É uma doença rara abaixo dos 40 anos de idade, e mais frequente em homens. Porém, devido ao aumento do tabagismo entre as mulheres, a partir do final dos anos 60, as mulheres estão apresentando aumento significativo nesta forma de câncer. O diagnóstico precoce é difícil, pois esta doença apresenta sintomas ou sinais quando já se encontra em fases mais avançadas. Para um tratamento mais eficiente, com perspectivas de cura, o diagnóstico necessita ser feito no início da doença. O papel do cirurgião de tórax é avaliar os pacientes suspeitos e determinar qual a melhor forma de se fazer o diagnóstico definitivo e o tratamento, associado à avaliação do oncologista.

TUMOR DE MEDIASTINO

Os tumores de mediastino são caracterizados por presença de massas tumorais no espaço situado entre os pulmões, chamado mediastino. Devido à grande variedade de órgãos e tecidos presentes neste local, vários tipos diferentes de tumores podem ocorrer. Eles são classificados de acordo com a sua localização, podendo ser tumores de mediastino anterior, médio ou posterior. Os principais tumores do mediastino anterior são o timoma (originário do timo), linfoma (originário dos linfonodos), teratoma e bócio mergulhante. O tumor mais frequente do mediastino médio também é o linfoma. E os tumores do mediastino posterior mais frequentes são os chamados neurogênicos (originários dos nervos). O papel do cirurgião de tórax é avaliar os pacientes suspeitos e realizar a cirurgia para retirada dos tumores.

PNEUMOTÓRAX

O pneumotórax significa a presença de ar na cavidade pleural, que é a cavidade que contém os pulmões. Portanto, significa que o ar está fora dos pulmões. Esta situação possui várias causas, como por exemplo trauma (acidentes automobilísticos, ferimentos por arma de fogo ou arma branca, etc), doenças (enfisema, tuberculose, pneumonia, câncer, etc), ou pode acontecer sem um motivo aparente, situação que é chamada de pneumotórax espontâneo primário. Nestes casos, a depender do tamanho do pneumotórax e dos sintomas dos pacientes, deve-se realizar a drenagem da cavidade pleural com um dreno de tórax. O papel do cirurgião de tórax é realizar o tratamento através da drenagem e acompanhar o paciente após a alta, pois esta situação pode se repetir novamente. Caso haja este tipo de recidiva, o tratamento se faz com cirurgia aberta ou por vídeo para retirar a porção do pulmão responsável pelo pneumotórax.

Hiperidrose/Simpatectomia

A hiperidrose é a presença de suor excessivo em algum segmento do corpo (face, mão, axila, pé, etc) ou eventualmente em vários destes segmentos simultaneamente. Devido a isto, o paciente se sente incomodado, e às vezes envergonhado, pois o suor excessivo impede que ele mantenha seus relacionamentos sociais de forma normal. O excesso de suor nas mãos impede, por exemplo, um simples aperto de mão. Isto restringe a vida social do paciente. Esta desordem é causada por um processo ainda pouco conhecido no sistema nervoso central, que é o responsável pelo suor do corpo. No pacientes que possuem hiperidrose, o cérebro encaminha a informação de mais produção de suor naquela região, mesmo sem a necessidade. O papel do cirurgião de tórax é identificar e operar aqueles pacientes que possuem indicação. Os paciente com hiperidrose generalizada são tratados com medicamentos.

OUTRAS DOENÇAS

Além das doenças descritas anteriormente, o cirurgião de tórax também é responsável por avaliar e tratar outras situações tais como:

- Supurações pulmonares: são as complicações relacionadas à pneumonia (abscesso pulmonar, necrose pulmonar), tuberculose (hemoptise, aspergiloma, infecções de repetição) e bronquiectasias (dilatação irreversível dos brônquios).

- Doenças da traquéia: estenoses de traquéia, tumores de traquéia.

- Tumores da parede torácica: são tumores provenientes da gordura, da musculatura torácica ou das costelas.

- Mesotelioma: tumor maligno originário da pleura

- Outros (síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome de Poland, costela cervical, complicações do trauma de tórax, etc.)

valor. cuidados de qualidade. conveniência.